sábado, 10 de setembro de 2011

Apreciações coletivas


As fotos dessa postagem foram feitas durante minha visita ao Centro Georges Pompidou, em Paris - como relatei na postagem anterior.

Tanto nesse museu quanto no demais é grande a frequência de grupos de estudantes ouvindo atentamente os monitores. O grupo acima, por exemplo, ouvia informações sobre as telas.



Nessa foto, a monitora estimulava os comentários do grupo a respeito das obras de Braque, menos figurativas.



E fiz questão de fotografar esse grupo de adultos que, numa oficina de escrita, estava criando poesias a partir da apreciação da tela.
Estamos sintonizados!


(Adélia Nicolete)


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Kandinsky ao vivo

(Centre Georges Pompidou - Paris)

Entre maio e junho de 2011 visitei Paris, como parte dos estudos para minha tese de doutorado. Um dos principais objetivos era ver de perto as obras de arte que vinha trabalhando nos ateliês.

Um dos locais visitados foi o Centro Georges Pompidou, um complexo cultural gigantesco com salas de cinema, teatros, museus e exposições. A área que mais me impressionou foi o andar dedicado à arte moderna.

Procurando aproveitar ao máximo cada minuto, ao mesmo tempo estava ansiosa para ver alguma obra de um artista que nunca vira pessoalmente: Kandinsky. Quando dei de cara com essa tela, foi fatal - chorei:






Chorei porque me lembrei dos participantes dos ateliês, do quanto havíamos apreciado aquele artista. E a emoção foi ainda maior quando vi os materiais usados por ele, doados por sua mulher ao museu:




Estar frente a frente com uma obra, em seu tamanho natural, podendo ver a intensidade das cores, o ritmo e a força das pinceladas, podem acreditar, é uma experiência maravilhosa. É como se pudéssemos sentir um pouco do que o autor sentiu, ou do que sentiram os primeiros espectadores da obra.



Bem, fiz questão de tirar uma foto pra provar que estive lá. A tela bem ao fundo, à esquerda, também é de Kandinsky.

Na próxima postagem vou falar um pouco sobre o público do museu.
Até lá.

(Adélia Nicolete)


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Nova pegada

(pé da Camila)

Essa imagem dá bem o tom de como vai ser o nosso ateliê neste semestre...
Colocar pés, mãos e corpo “na massa” da escrita.
Essa vai ser a nossa pegada:


Pensar com a cabeça...


E com o corpo todo.


Tocar...


Desenhar e...


Escrever!

Bem vindos todos ao nosso primeiro dia de trabalho!

(Adélia Nicolete)





segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Nova edição do Ateliê de Dramaturgia




Dia 6 de setembro, terça-feira, iniciaremos a edição 2011 do Ateliê de Dramaturgia na FUNSAI.
Estamos todos ansiosos pra colocar a mão na massa – literalmente – e escrever. Digo mão na massa porque, dessa vez, o ateliê vai radicalizar o contato com as artes visuais, propondo uma escrita não só de textos, mas também uma escrita plástica!

Nesta edição contamos com veteranos e novatos, todo mundo no mesmo barco, pra outra viagem que vai ser relatada, dia a dia, neste blog.

Vai ser um prazer contar com a sua companhia.

Na foto, a turma anterior, pra quem mando um abraço bem apertado e cheio de saudade!

Adelia Nicolete - condutora do Ateliê


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Chão - Texto de Paulo


Pablo Picasso - Detalhe da tela Guernica




Numa cidade que acabara de ser devastada por uma guerra, um garoto surge no meio dos destroços. Mas esse garoto era diferente, era um órfão.
Ele aparentava estar com fome e frio, agoniado por não achar mais ninguém ali, com apenas um palitinho de churrasco na mão e um cobertor todo sujo e rasgado como veste.
Ele caminha entre os destroços da cidade. Acaba se deparando com um avião destruído e vários folhetos no chão, escritos assim:

“A 9 de fevereiro de 2013 começa uma guerra mundial por alimento”

O menino fecha os olhos com força. Quando abre, se depara com uma pomba e a fura no peito com o palito de churrasco. E ele olha para o céu e se depara com uma luz imensa. E diz com expressão triste:

_ Achei que havia acabado.



(Este texto foi escrito pelo Paulo no segundo ensaio para as apresentações do final de ano)


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Gaivotas - por Juliana


Obra de Hélio Oiticica



De norte a sul,
há gaivotas batendo asas pelo céu
com a propulsão de um avião
elas vão aqui e ali.

Fazem de brisas ventos fortes
que agitam as nuvens sobre
o mar, que está calmo.

É misterioso seu rumo,
seus caminhos são feitos por impulsos,
e movimentam a magia do azul
de leste a oeste

E lá embaixo há um menino tomando
seu delicioso sorvete azul.
Elas voam em sincronia
e por sorte do garoto
se trombam e não
chegam ao doce gelado.

As gaivotas são assim,
de lá pra cá
viajam para o céu, sobre o mar
icebergs e sorvetes de blueberry
vão de norte a sul
de leste a oeste
e completam a vastidão azul.


(Este poema foi escrito pela Juliana em nosso segundo ensaio geral para a apresentação final do Ateliê).

sábado, 2 de abril de 2011

Camila escreve a continuação da estórida da Mayara.


Tela do artista americano Jackson Pollock



Era cheia de águas cristalinas, frescas. Cheguei a ouvir o canto de sereias. Mas então um som oco mudou tudo. Arvores em chamas, espinhos no lugar de flores, apenas a cachoeira continuava intacta. Em meu desespero, pulei em suas águas ainda frescas. Tinha esperança de ir embora, voltar de onde quer que tivesse vindo, porém uma força me puxava para baixo. Quando achei que o fim era iminente, com meu corpo entrelaçado pela corrente de água cristalina, fui jogada de volta, como em uma cratera. De volta a uma trilha que eu muito me lembrava. Corri e cada passo que eu dava o escuro, as chamas, o calor diminuíam. Aquela floresta era minha vida e aquela cachoeira minha redenção. Toda vez que caio em chamas, escuto a voz das sereias e me sinto limpa, pura e fresca, talvez tão fresca como uma sereia.


(Esta é a segunda parte da estória "A viagem misteriosa", publicada duas postagens atrás, dessa vez o desafio de dar a continuação foi aceito pela Camila.)