domingo, 28 de novembro de 2010

Os três músicos - de Camila

(Tela de Salvador Dalì)


Uma bela cidadela, em tempos atrás, com cara de Medievo, cercada de belas paisagens e seres obscuros e fantásticos. Cidadela essa de muita festa. Circos, tendas, cenas e muita música.
Havia três rapazes de dom fenomenal. Eram músicos habilidosos e amigos inseparáveis. Entre eles não havia ciume, desconfiança ou egoísmo. Seus nomes eram Alberto, Gilberto e Roberto. Alberto, o mais velho dos amigos tocava viola, Gilberto, o do meio, tocava maracas, e Roberto, o caçula, cantava. Os três músicos eram quase irmãos, possuíam uma amizade de anos, mesmo sendo jovens. Moravam juntos e tinham uma rotina encantadora. Acordavam às 10h, tocavam até que o sono os derrubasse. Tocavam na rua e ganhavam seu sustento de transeuntes e apreciadores. Eram queridos por todos e apreciados até pelo mais duro crítico. A arte deles só não superava a amizade dos três jovens músicos.

Roberto, caçula dos amigos apaixonou-se. A garota tinha a pele morena clara e cachos negros como a noite. Era cigana recém-chegada à cidade. Roberto a conheceu enquanto cantava com seus companheiros. Os ciganos pararam e observaram. Rosa Maria começou a dançar. Rebolava de modo instigador e envolvente. Até o mais duro coração amoleceria. Roberto soltou a mais bela nota e a sua voz e os gestos de Rosa Maria se misturavam como o dia e a noite se misturam no crepúsculo. Acabada a canção, Rosa partiu, deu tempo apenas de dizer: “Formamos uma bela dupla”.
Alberto e sua sensatez alertaram Roberto: “Ela é víbora traiçoeira! Já sentiu seu perfume? É o cheiro do pecado! Escute, querido amigo, estou te alertando!” Gilberto, como faladeiro que era, dizia: 'Seu nome é Rosa Maria, jovem e impura. Dizem que guarda em sua tenda uma mecha de cabelo de cada homem ou rapaz que ela já levou para o pecado! Fique longe dela!” Roberto, porém, não escutou. Passou a acordar mais cedo e ir cantar e dançar com ela na floresta. Gastava todas as suas forças e o povo já falava: sua voz sumia. Passaram a dizer que Rosa Maria era bruxa e que roubara a voz de Roberto para si. Seus colegas viam o prestígio de anos do trio ir embora. Resolveram fazer uma armadilha.

Numa noite, Roberto, disposto a se declarar de vez à sua amada, pôs-se a caminho do acampamento cigano. Nessa mesma noite Alberto e Gilberto levaram Rosa Maria para sua tenda e a embebedaram. Armaram, na tenda um clima sombrio, como de uma seita maligna. Roberto lá chegando deparou-se com uma festa. Seus instintos musicais fizeram surgir uma enorme vontade de cantar, mas ele tinha um objetivo: achar Rosa Maria e se declarar.
Passou tempo procurando-a e não a encontrou. Decidiu ir embora, mas pelo lado oposto, o lado das barracas. Estava escuro e uma barraca se destacava por seu vermelho intenso e pela luz que irradiava. Havia de fundo uma música desconhecida. Chegou mais perto e afiou os ouvidos. Mesmo assim não identificava a música. Chegou mais perto e sentiu cheiro de frutas. Chegou mais perto ainda, ficou mais perto ainda e reconheceu os cachos de Rosa Maria.

Roberto chamou a amada, mas ela parecia não ouvir. Ele resolveu entrar. Quando abriu a tenda e deu os primeiros passos, ele se esqueceu da música, dos cheiros, do seu objetivo. Rosa, embebedada pelos outros músicos, não entendia o que se passava. Mas viu pelos olhos de Roberto que havia caído em uma cilada.
Roberto berrava: “Bruxa! Morte à víbora e sedutora bruxa! Cobra, cruel e vil, dama adepta da bruxaria! É verdade o que dizem sobre você, tirana!” Agora Roberto chorava e murmurava: “Acreditei em tua dança, em teu sorriso, mas era verdade o que diziam, tu és bruxa de coração amaldiçoado!”
Rosa não entendia e, sem sua total lucidez, não podia se defender. Não entendia as acusações. Roberto correu e ela ficou tentando compreender, mas a alegria dos boêmios e o terror dos que creem, a bebida, a impedia. Caiu num sono profundo, um desmaio, um momento de fuga.
Enquanto isso, Roberto contava aos amigos o que vira. O que Roberto não desconfiava é que os amigos já sabiam, aliás, que tudo havia saído da cabeça deles. Os três combinaram então que, pela manhã, denunciariam Rosa Maria.

Na manhã seguinte Alberto, Gilberto e Roberto foram às autoridades e acusaram Rosa Maria de bruxaria. Assim, então, a cidade toda foi interrogada e todos confirmavam: ela era bruxa. Falavam de sua dança, seus cabelos, seu perfume.
Rosa foi levada e, por unanimidade, foi condenada à forca. Os ciganos se foram, com medo de novas acusações. Os amigos, exceto Roberto, que se compadecia da amada, comemoravam junto com a cidade.
O tempo passou e chegou o dia do enforcamento. As pessoas pegavam seus lugares, inclusive os três músicos. Foi lida a acusação de bruxaria. Rosa Maria, já lúcida, se defendia, afirmando ter sido sabotada por dois jovens mascarados. Apenas uma pessoa acreditou: Roberto. Ele correu até o palanque onde Rosa estava com a corda no pescoço e pediu por compaixão, afirmando acreditar nela. Rosa Maria chorava e a cidade comentava: “Pobre garoto! Enfeitiçado pela cruel víbora!”
Roberto foi segurado e Rosa, morta. O desespero tomava conta do jovem. Ele se soltou e correu para a floresta onde outrora cantava e dançava com sua amada. Arrancou um galho de árvore e cravou no próprio peito, desejando seguir sua Rosa. Na cidade o clima fúnebre dominava e o corpo de Roberto nunca foi encontrado.
Os músicos, agora uma dupla, lamentavam e sofriam por sua culpa. Tocavam músicas ocas, sem voz, acompanhados apenas por um vento leve, que parecia segui-los, como uma melodiosa voz.





(Esta é a história de fantasia escrita pela Camila, baseada na tela Os três músicos de Beatriz Milhazes. Esta é a segunda versão.
A ilustração da postagem remete a outro artista também capaz de inspirar textos dessa natureza, Salvador Dalì)

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os três músicos - de Lucas R. Rey

(Tela de Marc Chagall)



Em uma cidadezinha rodeada de casinhas antigas, com pessoas humildes e alegres, e cercada unicamente por uma mística floresta, moravam três garotos. Eram três amigos: Roco, Riobaldo e Renê. Tinham em suas vidas algo que os unia: o amor eterno pela arte musical. Roco tocava banjo, Riobaldo, bandolim e Renê, violão. Não gostavam de esconder seu talento. Toda tarde se reuniam e tocavam na praça da cidade. Nunca se interessaram em ganhar dinheiro, tudo o que produziam era feito com amor. Era lindo de se ver e de se ouvir. Quando tocavam algo mágico acontecia... notas musicais multicoloridas saiam de seus instrumentos. Elas dançavam e faziam do céu o seu salão nobre. Dançavam tão alto que tocavam as estrelas.

Longe dali, em seu castelo escuro, se escondia um malvado feiticeiro. Ele odiava escutar a música dos três amigos. Era invejoso, pois tinha os dedos tortos e não conseguia tocar nada. Um certo dia, se irritou e decidiu acabar com a música dos jovens. Enquanto eles se apresentavam, o feiticeiro jogou um terrível feitiço em seus instrumentos:
_ De agora em diante a música de vocês trará tristeza e desgosto para todos!

Renê, Roco e Riobaldo não sabiam mais o que fazer, pois a única coisa que os fazia viver não traria mais a alegria de sempre.
_ E agora, Renê, o que faremos? - disse Roco.
_ Eu não sei, meu amigo... - disse Renê desapontado.
_ Só nos resta ir embora da cidade e nunca mais voltar – disse Riobaldo.

Sem escolha, os três músicos fugiram para a floresta. Ela era escura e misteriosa. Quando a noite chegou, os três já estavam cansados de tanto andar sem rumo. Avistaram um pequeno acampamento, com uma fogueira e pessoas dançando e cantando.
_ Olhem, meus amigos – disse Renê. Aquele povo se diverte com sua música.
_ Vamos até lá! - exclamou Riobaldo.
_ É, vamos! - concordaram os amigos.

Chegaram devagar e ficaram observando. Um dos homens que ali estavam notou a curiosidade dos três músicos.
_ Ei, vocês três! Não fiquem acanhados. Participem da nossa festa.
_ Podemos? - perguntaram os três.
_ É claro! Vamos, vou apresentar vocês ao meu grupo.
E lá foram os três músicos ao encontro do homem e seu grupo dançante. Sentaram à frente da fogueira.

_ Que tipo de grupo são vocês? - perguntou Roco.
O homem sorriu e disse:
_ Somos ciganos! Passamos a vida cantando e dançando e lendo sobre o futuro das pessoas.
_ Então por que não lê sobre o nosso futuro? - perguntou Renê.
_ Mas é claro! - E pegando a mão de Renê analisou. - você possui um tesouro. Não são joias, mas é brilhante. Lute por esse tesouro. Em sua maldição irá encontrar a libertação. Terá de infringir a regra que o seu mal lhe impôs.

O cigano logo notou os instrumentos musicais dos três amigos.

_ Por que vocês não tocam junto conosco?
_ Não podemos... - disse Renê desapontado.
_ Ora, mas por que não? - perguntou o cigano
_ Fomos amaldiçoados por um feiticeiro. Agora, cada vez que tocarmos só traremos coisas tristes para as pessoas.
Despediram-se do cigano e seguiram pela floresta.

_ Sim! Agora entendo! - disse Renê alegre.
_ Entende o que, meu amigo? - perguntou Roco.
_ O cigano da floresta está certo!
_ O que? Está louco? - perguntou Riobaldo, confuso.
_ Não, meus amigos. Não prestaram atenção no que ele disse quando leu minha mão? 'Em sua maldição encontrará libertação.” Roco, Baldo, temos de voltar para a cidade e tocar.
_ Ah, meu Deus! Agora você endoideceu de vez, Reenê – disse Riobaldo, indignado. Será que não percebe? Estamos amaldiçoados, não há como reverter esse feitiço.
_ É verdade, Renê, o Baldo tem razão – concordou Roco.
_ Temos de acreditar em nosso poder, meus irmãos! Temos de lutar! - exclamou Renê.
_ Acordar, Renê! Acabou! Não somos e nunca mais seremos os três músicos mágico – disse Roco.
Nesse instante o cigano da floresta surgiu entre as arvores e disse:

_ Pois vou lhes contar uma coisa, meus jovens. A música só trará o mal se desejarmos que ela traga o mal. Quando uma melodia sai de nosso alma, deixamos o coração libertar nossos mais belos sentimentos.
As palavras do cigano encorajaram os três músicos. Então, naquela noite voltaram para a cidade e começaram a tocar, e viram como as cordas dos instrumentos brilhavam como ouro e as lindas notas coloridas voltaram com ainda mais cor e luz, animando o povo como sempre animara em todas as noites.
O feiticeiro ficou com tanta raiva que acabou explodindo. Virou poeira e foi levado para sempre pelos ventos.




(Esta é a história de fantasia escrita pelo Lucas R. Rey, baseada na tela Os três músicos de Beatriz Milhazes. Esta é a segunda versão.
 A ilustração da postagem remete a outro artista também capaz de inspirar textos dessa natureza)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Espelhos - de Paulo


Mandala de M.C. Escher



Meus olhos estão fechados, mas se estou conseguindo pensar claramente, então devo estar acordada. Ou estou sonhando?
Pois bem, irei abrir meus olhos. Minhas pálpebras estão muito pesadas, mas consegui abri-los.
Ainda estava escuro, mas havia uma luz que vinha lá de fora. Então estava numa cabana. Me levantei com cuidado porque meu corpo estava pesado e dormente. Caminhei em direção à luz.

Quando saí da cabana o dia estava nublado. Olhei ao redor e só havia mais cabanas. Saí correndo para nenhum lugar quando começou a chover. As gotas de chuva não me molhavam, não deixavam minhas roupas molhadas, mas deixava minha saia mais leve para andar. Mas algo em mim ficava tocado pela chuva.
Parei de correr do nada e olhei fundo para uma cabana. Era a mais escura de todas, mas de tudo ali era a única que tinha uma cor a mais: uma melancia estragada na porta! Aquilo chamou minha atenção e por isso entrei.
Quando dei o primeiro passo para dentro da cabana, uma brisa forte bate em meu corpo como se tivesse feito eu mudar de local sem tirar os pês do chão. Saí correndo para o fim da cabana, mas o chão do fim da cabana era inclinado. Caí derrapando até meter a cara num espelho. Aquele espelho era o mais brilhante que já vi. Naquele lugar a luz que saía dele era linda, uma luz azul.

Me levantei. Reparei que estava numa sala de espelhos. No teto havia um balão gigante. Numa pequena dança que fazia com os meus reflexos quando numa brisa todos os espelhos racharam em milhares de pedaços. Me debrucei com o coração angustiado e comecei a chorar por muito tempo quando o balão do teto estourou em vários outros balões que, com a luz do espelho brilhante e a rachadura dos outros espelhos, fizeram os balões se tornarem como se fosse outro mundo, como se eu estivesse dentro de um caleidoscópio.
Mas apenas o espelho brilhante que já estava quase se apagando fez um brilho vermelho. Tudo ali ficou vermelho, um vermelho profundo. Quando me deparei com uma mulher linda com roupas chamativas. E ameaçadora de tanto que a roupa dela era colorida e chamativa.
_ Baiana, cigana, gueixa, capoeirista – sussurrei.

Quando vi que ela era apenas o meu reflexo. Vi que eu vestia aquela roupa. Aquele vestido chamativo e colorido era meu.
Continuei dançando quando tudo se apagou. Meu vestido desbotou, caindo no chão a cor vermelha que havia nele... eu... eu estava sangrando? - me perguntei.
No mesmo instante que o sangue sumiu, meu vestido se tornara azul, da mesma cor do brilho do espelho, e pequenos vaga-lumes saíram dele, me levando para a escada de flores lindas.
_ Sol – murmurei bem baixinho. Subi a escada correndo quando me dou de cara com uma plantação de morangos, e no fundo havia uma macieira, que corri dançando até ela.
Quando deparei com um anel vermelho em meu dedo. Quando cheguei à macieira vi que havia uma mala. Abri e tinha três pelúcias: um coelho, o Fófis, que tinha um pandeiro; o leão, o Luca, que tinha uma guitarra, e a tartaruga, Roan, que tinha uma maraca. Lembrei que brincava com elas quando tinha dez anos, que eles eram os três músicos. Sorri.

Me deitei na macieira com os meus bichinhos, olhando o céu e a brisa no meu rosto.
Não, meus olhos, meus olhos estão fechando. Não quero ir embora – fiquei repetindo isso várias vezes quando dormi,.
_ Juliana Raquel, você só tem mais quinze minutos, senão vou subir aí com o chinelo!
_ Eu tô indo, mãe.
Acordei no meu quarto com uma chave na minha mão.
_ Que chave é essa? - me perguntei, quando um vaga-lume sai da minha camisola e sorri com um aspecto de felicidade. Sussurrei:
_ Já entendi de onde é a chave. Tenho de devolver outra noite.


(Esta é a história de fantasia escrita por Paulo, baseada na tela Os três músicos de Beatriz Milhazes. O autor não achou necessário revisar ou reescrever.
A ilustração da postagem remete a outro artista também capaz de inspirar textos dessa natureza)


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

"Os três músicos" - obra de Beatriz Milhazes


(Beatriz Milhazes - Os três músicos, 1998 - acrílica sobre tela, 220 x 190 cm)

No dia 27 de outubro conhecemos um pouco da obra de Beatriz Milhazes e analisamos, com a visita da pedagoga da FUNSAI, Tutu, a obra Os três músicos. 
Abaixo alguns itens da análise realizada:

Cheiro de chocolate, de perfume forte, intenso.
Cheiro de rosas, de frutas (morango, maçã, melancia), de frutas silvestres

Gosto de macarrão com muito molho, de água salgada da praia, gosto de bolo.

Intensidade.
Lembra um pique nique, uma gueixa (por causa do quimono), coisas antigas (e madames antigas, com sombrinha).
Lembra uma cigana (dessas que leem mãos, que moram em tendas, carroças, que vagam pelo mundo, dançam e cantam) - daí lembrar a música Gipsy, da Shakira.

Imagens que remetem a bijuterias, caleidoscópio, pirulito de criança. Alegorias de escola de samba, carnaval. Guarda-chuva colorido do frevo, lenços coloridos, música alegre.

Que instrumentos esses supostos músicos tocam? Maracas, banjo, bateria. Podem ser músicos de serenata.

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Depois da análise, ficamos sabendo da proposta: escrever uma história de fantasia - daquelas que se passam em outros territórios, os da imaginação - com base nos dados levantados e no que mais surgir.
Primeiro imaginaremos o território e as personagens, depois faremos um plano para, só em seguida, escrever. Não há limite de tamanho para o texto.
Faremos uma primeira versão que, aprimorada, virá para o blog.
Não percam!


sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Beatriz Milhazes - Fantasia


Depois das cores de Kandinsky, das linhas de Klee, do geometrismo de Mondrian e seu Neoplasticismo, chegou a vez de uma artista brasileira que reúne em sua obra um pouco de tudo isso. Trata-se da carioca Beatriz Milhazes.


(Beatriz Milhazes Serpentina, 2003, gravura edição 40, 129,5 x 129,5 cm)

Nascida em 1960, Beatriz frequentou cursos de artes no Brasil e no exterior e atualmente trabalha como pintora, ilustradora, cenógrafa e professora.


(Beatriz Milhazes, Cenografia do espetáculo Tempo de verão, 2004, Marcia Milhazes Cia de Dança)

A maior parte de seus trabalhos é em acrílica sobre tela, num processo lento, que pode durar meses. Tal processo, muitas vezes, pode se assemelhar ao da escrita: esboços, camadas diversas, sobreposições, ajustes constantes até o acabamento. 

(Beatriz Milhazes - O sonho de José, 2003/2004,  250 x 250 cm)

Elaine Perli Bombicini  comenta a respeito da artista no blog papelferepedra.blogspot.com:

"O que gosto em Beatriz é a conexão com os anos 70 (quando comecei a me interessar por arte, embora só a tenha conhecido muito depois), algo dos encaixes perfeitos que a alma barroca possui e algo de um efeito que vai de encontro a arte deco. Essa multifaceta que ela apresenta, amplia demais as possibilidades de análise e aprofundamento em sua obra. Estar diante de um quadro dela é viajar, nos mínimos e nos máximos detalhes, a profusão de cores e em alguns trabalhos a transparencia, nos lembram vitrais.
Possui obras de grandes dimensões, nos transmitindo a sensação de ter tido muito trabalho. Assim como ilustrações de livros que são pequenas obras de arte (mil e uma noites, se não me engano).
Estar em contato com sua obra é sentir uma certa alegria espontanea. Gera movimento!"
A  escolha de Beatriz Milhazes como nossa próxima referência vem atender à proposta de criação de um texto de fantasia, que poderá ser conferido nas próximas postagens.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Cadáver maquiado


Kandinsky tem gosto de balas jujuba 
(versão 2- por Juliana e Isabella)

“Amar significa jogar sua vida fora, mas para o artista significa jogar o tempo de vida fora para amar”.

Kandinsky era um artista, um artista que chocou;
Começou o abstrato e com isso inovou;
Gostava de pintar as paisagens de Moscou.

Bem maluco era ele, pintava tudo colorido, divertido e “bizarro”. Até misturas de opostos ele fazia, o frio da chuva com o quente do Sol, criando um arco-íris de intensas e bonitas cores. Era assim mesmo, como criança, que adora jujubas, mas se comer demais enjoa. Então para não exagerar, tranquilo também era, com seu lado calmo de pintar. Pintava o cheiro das flores silvestres com todas as fragrâncias que tinha direito. Fez-se lúdico, usando formas e cores primárias.
Acabando a brincadeira, conto um segredo: Kandinsky relacionava cores com sons, parecendo até o carnaval, a batida da bateria com a criativa alegoria.
Artista é isso mesmo, contradições, reflexões e expressão. Expressão pelo amor à arte e à vida. 


(Obra de Wassily Kandinsky)


(Em nossa postagem anterior mostramos o resultado do poema escrito na técnica "cadáver esquisito". Cada verso foi criado por um participante do ateliê.
Em seguida, Juliana e Isabella ficaram encarregadas de reescrever o texto - ou "maquiar o cadáver". É esta versão resvita que apresentamos na presente postagem)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Nosso primeiro cadáver esquisito


KANDINSKY TEM GOSTO DE BALA JUJUBA





Kandinsky tem gosto de bala jujuba
É um cara bem maluco
Kandinsky também é muito calmo
Amar significa jogar sua vida fora, mas para o artista significa jogar o tempo de vida fora para amar
Kandinsky relacionava cores com sons
A infância tem gosto doce, mas quando é exagerada pode enjoar
Kandinsky é lúdico
Kandinsky tem cheiro de flores silvestres
O Kandinsky tem um clima frio misturado com calor
Ele pintava tudo colorido, divertido e bizarro
A maioria de seus quadros são de formas e cores primárias
Kandinsky tem ritmo de carnaval



(Kandinsky - Quadrados com círculos concêntricos)

Cadáver esquisito é um jogo criativo criado por volta de 1925 pelos surrealistas (artistas vinculados ao Movimento do Surrealismo) e que consiste em escrever uma primeira frase numa folha e dobrá-la para que o outro não leia. O próximo participante escreve outra frase (ou verso) e esconde também seu texto, e assim por diante, até o último. Ao final, desdobra-se a folha e se lê o resultado geral.
Dessa forma tem-se mais de um autor e subverte-se a lógica criativa.
Pode-se também fazer cadáveres esquisitos de desenhos.